domingo, 25 de dezembro de 2011

Capítulo 62

"Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."
-Fernando Pessoa in Mensagem.

Percorridas as metáforas
Tomo-te a sério, irmã.
Fica da tua essência
O cheiro da verdade.
Pega o leme, ergue a vela!
Corre o imenso mar azul
Em busca do beijo eterno;
Só saudades tens de lastro.

Dona da sensibilidade,
Marcada pelo desejo
Pela vida afora...
Terra à vista, vida a prumo!
Vento em popa, segues
Incendiando de paixão
As rotas percorridas
No imprevisível sonho-mar.

(Para Cristina Semeraro Rito Cardoso)

domingo, 4 de dezembro de 2011

Capítulo 61

"There is no combination of words I could put on the back of a postcard  
No song that I could sing but I can try for your heart
Our dreams and they are made out of real things..."
(Jack Johnson, Better Together)


Summer breeze
Wide deep sea
Inspiring sun
Bringing you to me

Wanna go with you
Deep down the sea
In a Summer breeze
You keep calling me


As the sun burns out
I walk into the sea
Wind softly waves
Waves come over me


Listening deeply
To the sound of sea
Feeling hapiness
Coming back to me


Meet you again
In the blue sea
Sliding down waves
You’re horizon to me.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Capítulo 60

Mar tranquilo mar
Doces lembranças
Nas ternas danças
Do navegar

Ao desabrochar
Pelas andanças
As esperanças
De encontrar

O sol a queimar
A alma aquecer
O mar a crescer
A terra a banhar

Ainda a serenar
Fazer esquecer
Pra não mais sofrer
Mar sublime mar.



quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Capítulo 59

Textos e desejo
Manhã começando
Filhas dormindo
Gato ronronando.


Na mesa da sala
Infinito trabalho
Chuva na janela
Cão no assoalho.


Pausa na viagem
Nos livros presente
Sono inebriante
Paz entorpecente.

domingo, 6 de novembro de 2011

Capítulo 58

Impossível
Atingir o inatingível.
Barreiras, portões, muros
Afastam qualquer
Indício de razão
Impedem o fluxo
Do pensamento
Descaracterizam
O amor.
Esquetes de sentimento
Afeto fragmentado
Solidão.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Capítulo 57

Abreviação
Breve vida
Abreviada
Na batida
Na batalha
Coração
Bate com
Calma
Na soleira
Da solidão.


Breve som
De turbilhão
Tua respiração
Apertando
Na mão
Doce sonho
Em vão
Da vida na
Contra-mão
Da emoção.


É certo
O incerto
Da certeza
Do fim
Que chega
Enfim
No passo
Sem compasso
Do que passou
E não ficou.

Vida breve
Vida longa
É a gota
Que prolonga
O aberto da
Ferida
Noutras dores
Noutra vida
Que fica
Esquecida.

domingo, 29 de maio de 2011

Capítulo 56

Veinticinco años
¿Cuánto del amor se perdió?
¿Cuánto del dolor terminó
En veinticinco años?

Del árbol la rama surgió
De la cabeza el pelo blanqueó
Veinticinco años más
Cuando miró hacia tras.

Y la cara se entristeció
Por la distancia del amor
La fuente de mi vida
Pero no se curó la herida
Al pensar en su dolor.

domingo, 22 de maio de 2011

Capítulo 55

So good to be home
In your arms again
Comfortable and warm
To shelter the rain.

Never ever again
Be out at night
Offensive places
A battle to fight.

When I saw the light
The old path shining
I opened the door
I saw you smiling.

I saw you smiling...

domingo, 15 de maio de 2011

Capítulo 54

Infinitamente triste
Mar revolto, tempestade
Vento forte em minh'alma
Coração pela metade.

Cansada do sofrimento
Solto o corpo ao mar
Mergulho em sono profundo
Não quero mais voltar.

Sinto frio, muito frio
Mas não há o que me aqueça
Mesmo que atinja o fundo
E finalmente adormeça.

Não há palavra que dê conta
Da angústia desmedida
Da alma que se desmonta
Do tamanho da ferida.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Capítulo 53

O que me pedes eu te dou
E não dou contrariado
Mas dou de muito bom grado
O que teu coração desejou.

Quando me pedes mais
Muito procuro e consigo
Para compartilhar contigo
O bem que só o amor traz.

No entanto, sem satisfação
Envolto em fútil atitude
Nunca atinges a completude
Buscando felicidade em vão.

Tua boca em outras bocas
Tuas mãos em outras mãos
Assim segues, rumos vãos
Assumindo promessas loucas.

Mas como sabes tão bem
Da inconsistência que te persegue
Ao colo da dor és entregue
E enfim pensas em mim também.

Já é tarde, muito tarde
E enquanto me reviro no leito
A angústia corrói meu peito
A mágoa da rejeição ainda arde.

Um dia não te importaste
Com o que te oferecia
Transbordando em poesia
E com desprezo me olhaste.

Hoje o olhar já não se faz
A tristeza tudo apagou
No adeus que não tardou
Ainda procuro a tal da paz.